Todo ano é o mesmo script. No meio de janeiro, friaca danada, um grupo enorme de varejistas brasileiros parte para Nova Iorque para tentar entender o que o mundo vai fazer no ano que mal começou.

É o Big Show da National Retail Federation. O maior evento de varejo do mundo. Vou lá há mais de 20 anos. O ritual de revisão geral de conhecimento toma conta de mim também. O ano inteiro a gente fala mais de pendências do que tendências. No fim do ano começa uma pesquisa enorme para meio que fazer um “reboot” no que a gente sabe.

Se eu fosse você que nunca foi lá, iria. Uma vez. Contagia. Vale a pena.

A versão completa do que eu aprendi nesse ano está numa apresentação que você pode comprar – espero que compre e goste – nesse link:

https://www.sympla.com.br/palestra-online-nrf-2018—tendencias-de-varejo-e-negocios__243392

Vou falar sobre os pontos que mais me chamaram a atenção. Sem a menor pretensão de cobrir tudo aqui. Um pouco do varejo PHD. Physical, Human e Digital

NÃO É MAIS PONTO DE VENDAS É PONTO DE COMPRAS

Entenderam? Não é questão de nova geração. As velhas se contagiam com o que as novas pensam e disseminam. Todos querem comprar onde e quando querem e receber o produto onde e quando querem. Então vale tudo. Celular, tablete, web, quiosque, telas de quqlquer tamanho – E LOJA. 96% dos millenials dizem que preferem comprar em loja quando forem comprar. E em torno de 70% em sites, E menos em apps e telefones. Lembrem-se de que nos Estados Unidos apenas 9% das vendas do varejo são digitais. O resto é em loja. Claro, as digitais vão crescer mais. Então aprenda e entre nesse novo mundo.

SEM FAZER PARCERIA NÃO VOU CONSEGUIR ACOMPANHAR A TECNOLOGIA

O Walmart se juntou à Google para ter um assistente de voz – o Google Home – e competir com o Echo da Amazon. Um monstro de meio trilhão de dólares de faturamento tem que fazer parceria para evoluir. A Anazon se associou a muitas marcas de loja física para ter pontos de recepção de produtos. A Kohl’s foi uma delas. Obviamente eles também ganharam: tráfego! A Amazon baixou os custos de envio de produtos.

Você tem que buscar parceiros para se digitalizar. Mesmo se você for um nativo digital, nerd até. Dásico acertar o sistema do balcão pra trás. Sim, controlar estoques. Nem demais nem de menos. Demais gera perda de dinheiro, de menos gera perda de clientes. Um dia RFID.

Do balcão pra frente, CRM – Conhecer Realmente a Moçada que compra da sua marca – o tal do Cliente.

Depois fazer seu ponto de vendas ficar mais atraente, intrigante e sempre diferente. Senão vira papel de parede. Comece com o mais barato! QR Code. Depois fale com os seus fornecedores e instigue os caras a investirem em realidade aumentada, ofereça sua loja como vitrine. Meça fluxo, entenda o retorno de investimento em cada ação. Repita ou pare de fazer. Mas faça. O resto, bom, o resto é para depois.

VENDA PRODUTOS QUE NINGUÉM VENDE DE UM JEITO QUE NINGUÉM VENDE

A Rent the Runaway dá posse acessível de roupas para clientes que não querem mais comprar. Faz assinatura. Netflix de roupas. Por menos de 100 dólares mensais, você pode ter na sua casa 4 vestidos muito mais caros que isso. Um artigo da Bloomberg – A morte das roupas – que eu recebi do Tiago Melo conta a história do porquê tantas lojas de moda estão morrendo nos Estados Unidos. https://www.bloomberg.com/graphics/2018-death-of-clothing/

Uma categoria de roupas sumiu. A gente usa a mesma roupa para trabalhar e sair. Isso que o artigo diz. Mais: O millenial não quer mais comprar produtos. Quer experiências e eventos. Não é mais consumidor. É Nãosumidor.

A menos que você seja o fornecedor dos produtos pelos quais ele é apaixonado. Aí ele vai procurar sua marca e pagar o que ela vale. E recomendar postando para todos que ele conhece. Contradição? Não. Venda o produto que ninguém tem com a Lip Lab que faz batons por encomenda na loja. A Cliente paga. Muito mais do que um mero baton. Ou faça assinatura como a Rent the Runaway que faz assinatura.

De café? De pão? De escovas no cagelo? Isso já tem no Brasil. O que você está esperando?

FAÇA COISAS ESPECIAIS SE VOCÊ QUISER TER EQUIPES ESPECIAIS

Ouvi um grande empresário reclamar que não consegue manter pessoas da equipe por muito tempo na empresa dele. E ouvi o Peter Rodenbeck do Outback – um dos melhores empresários que conheci – dizer como faz para manter sua equipe o tempo que mantém. A diferença é clara: o segundo faz coisas que o primeiro não faz para ter, pelo tempo que tem, a equipe que tem. Liderança é o primeiro ponto, por isso o Outback tem um sócio local para cuidar do negócio. Se o gerente sai, o sócio sofre. Se um gerente de um negócio normal sai, o líder repõe. É muito diferente.

São 4 os fatores pelos quais um cara ama trabalhar por muito tempo num negócio:

O QUE A EMPRESA ESPECIAL FAZ

CAUSA DE DENTRO PRA FORA

Esse lugar quer melhorar o mundo e me ajudar a melhorar, mais do que só ganhar dinheiro

REMUNERAÇÃO JUSTA

Ganhar o que eu preciso para viver sem que dinheiro seja um fator de preocupação na minha vida

O QUE O LÍDER ESPECIAL FAZ

EMPREGABILIDADE

Aumentar minha competência para eu me sentir mais seguro. Assim posso decidir onde quero trabalhar.

AUTONOMIA

Para poder falar o que eu penso e fazer o que eu sei sem ninguém ter que ficar fungando no meu cangote.

A marca tem que construir reputação e experiência primeiro para as equipes. Afinal, embora alguns tenham passado para a próxima fase sem pensar nessa, a pessoa mais importante da sua marca é a equipe. Principalmente a que está na ponta, perto do cliente. É ela que entrega a promessa da marca.

O mais surpreendente do NRF deste ano foi o Alibaba. Mais surpreendente é entender como ele faz para já azer tudo o que o NRF recomenda que se faça.

Mais, se você ouvi-la vai aprender muito sobre o que sua marca pode melhorar. E economizar um monte de dinheiro que gasta em pesquisa.

É isso. Qualquer coisa estou por aqui.]

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Se você fizer “apenas isso” vai ter um 2018 muito dez.

P.S. A versão completa do que eu aprendi nesse ano está numa apresentação que você pode comprar – espero que compre e goste – nesse link:

https://www.sympla.com.br/palestra-online-nrf-2018—tendencias-de-varejo-e-negocios__243392